Como será o mundo pós Covid-19?


   Depende de como agiremos daqui para a frente! Mas será que é tão simples assim?

   Outras pandemias já assolaram as civilizações em períodos remotos e, possivelmente, novas ainda irão surgir. Uma das mais antigas epidemias atingiu a China há 5.000 anos atrás. Posteriormente, a pandemia mais conhecida foi a peste negra, depois vieram a praga russa, a grande praga de Londres, cólera, pandemia de gripe (vírus influenza), gripe espanhola, AIDS e, mais recentemente, gripe suína (H1N1), ebola, Zica vírus e SARS, entre outras. (Confira as 10 piores epidemias e Pandemias da historia)


  Ocorre que as pandemias estão estritamente ligadas às condições ambientais. Como neste caso, em que o efeito das providências tomadas em virtude da Covid-19, como a paralisação das indústrias e dos deslocamentos, pode estar contribuindo mais para salvar vidas pela prevenção da poluição, do que pela própria ausência do vírus. Pelo menos é o que está ocorrendo na China, onde os níveis de poluição do ar normalmente são alarmantes. Porém, as medidas tomadas para o combate ao novo coronavírus são muito mais severas do que as medidas para enfrentar a poluição atmosférica bem como as mudanças climáticas. Confira a reportagem sobre o bloqueio do Coronavírus e prevenção da poluição na Forbes.

  Mas por que ainda não há efetivamente uma política de incentivo à melhoria das condições ambientais, do combate às mudanças climáticas e da produção sustentável? Estaríamos caminhando para o caos? A reposta é sim! Um estudo da Global Futures calculou o custo econômico do declínio ambiental em 140 países e mostrou que, se a economia continuar a ocorrer no modelo econômico atual (linear), os países serão seriamente impactados devido à perda de seus serviços ecossistêmicos, que afeta diretamente seus níveis de produção, o comércio e os preços dos alimentos. As grandes perdas econômicas globais (bilhões de dólares) serão resultantes da proteção contra inundações, tempestades, erosão, perda de armazenamento de carbono para redução das mudanças climáticas, falta de água para agricultura, desmatamento e perdas de serviços de ecossistemas florestais. Com isso, os preços das commodities globais aumentarão, afetando a segurança alimentar em muitas regiões do planeta, aumentando a fome. Assim, o estudo concluiu que o Brasil será a sexta economia do mundo mais prejudicada por perdas da natureza nas próximas décadas se o modelo econômico persistir e frisa a necessidade de incluir os serviços ecossistêmicos para garantir o crescimento econômico (Saiba mais).

   A economia atual aproximou-se do limite da natureza, sem alcançar o objetivo do bem estar social e, quase um bilhão de pessoas ainda passam fome diariamente. O número de famílias sem residência própria continua alto e mesmo nos países desenvolvidos, os dados da ONU (Organização das Nações Unidas) mostram que, além da fome, há uma quantidade considerável de moradores de rua. Aumentar ainda mais a produção econômica para fazer o Produto Interno Bruto (PIB) crescer todos os anos é um caminho irracional e que pode nos levar ao colapso. O aquecimento global, o desequilíbrio do ciclo da água, do carbono e do nitrogênio e as secas e enchentes em locais incomuns mostram que a atividade econômica já está no limite (“The Entropy Law and the Economic Process” -  Nicolas Georgescu-Roegen). Mais sobre o modelo econômico atual e a sustentabilidade.

   O fato é que, além do esgotamento ambiental, há muita gente no planeta! A população está próxima a 8 bilhões de pessoas e estamos cada vez mais próximos uns dos outros. Com a maior concentração de pessoas por metro quadrado a exposição por patógenos causadores de doenças é maior. Além disso, a circulação dessas pessoas pelo globo permite a rápida disseminação de vírus e bactérias. A maioria das doenças são zoonóticas, ou seja, transmitidas de um animal para um humano e com o aumento da população e demanda por proteína animal a probabilidade de transmissão de doenças está aumentando. No caso do coronavírus ele é transmitido de animais selvagens para nós e tradições como a da China, epicentro da doença, de mercados de animais vivos em locais densamente povoados, como feiras, podem aumentar ainda mais a chance de ocorrer as pandemias. BBC

  Mas somente controlar o crescimento populacional, apesar de necessário, não resolve todos os problemas, outras ações como a economia circular e o comércio justo são necessárias. Os impactos da pandemia na economia e nos hábitos das populações podem gerar mudanças de paradigmas e novas tendências. Veja na íntegra algumas tendências ecológicas para o mundo pós-coronavírus em Exame.

  Igualmente importante é a conservação das florestas e de outras áreas naturais pois o desmatamento faz com que as doenças se espalhem dos animais silvestres para os seres humanos. Os animais perdem seus habitats naturais e acabam “invadindo” as cidades para buscarem alimento. De acordo com o Fórum Econômico Mundial o desmatamento está ligado à 31% dos surtos epidêmicos no mundo. Desmatamento, aquecimento global e pandemias são temas complementares e relacionados com saúde, bem-estar e economia e sustentabilidade. Todas demandam medidas urgentes de governança para que possamos ter mais equilíbrio ambiental e conter o aquecimento global. Ouça o podcast do Greenpeace sobre o assunto.

   Por fim, a Carta da Terra define os princípios éticos fundamentais para a construção, no século XXI, de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica, com interdependência global e responsabilidade compartilhada e com ela podemos concluir que a humanidade deve escolher o seu futuro imediatamente. Já possuímos os diagnósticos para a reconstrução da civilização humana em padrões sustentáveis e princípios éticos de equidade. Colocá-los em prática é meramente uma escolha. A sorte está lançada para o mundo, talvez esta pandemia nos faça olhar de forma diferente para nossos padrões de consumo, para os outros seres vivos e para como queremos estar no futuro.

Profa. Fernanda de Freitas Borges.

Imagem 01 - Site Jornal USP
Imagem 02 - Site Gepeese ignacianos
Desenvolvimento - Comunicação Fatec Jaboticabal
Texto - Fernanda Borges

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